domingo, 20 de março de 2011

Filme: As virgens suicidas

The virgin suicides - 1999 (mais informações aqui)
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Jeffrey Eugenides, Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, Josh Hartnett, James Woods, Kathleen Turner

Comecei, esta semana, a colaborar com o Cinema de Buteco. Meu texto de estreia foi sobre este filme, e pode ser lido aqui.

Há coisas que eu não disse lá.

Uma delas é que me agrada muito a forma como Sofia Coppola usa a trilha sonora dos seus filmes. Já tinha dito isso quando falei sobre Maria Antonieta e preciso rever Encontros e Desencontros para perceber de novo.

Outra é a escolha de Jeffrey Eugenides, autor do livro que inspirou o filme, para o nome da família: Lisbon.  Quando escutei o narrador dizer Lisbon Girls foi possível associar diretamente ao lesbianismo, ou à Ilha de Lesbos, que ficou famosa por um poema da grega Safo, em que ela fala de amor platônico por outras mulheres. No filme, são cinco mulheres, de certa forma, aprisionadas em uma ilha de "retidão" pela mãe tirana, sendo objeto do amor platônico de uma série de garotos da vizinhança e da escola.

No momento em que o Danny DeVito conversa com Cecilia Lisbon e, logo em seguida, com seus pais, um tic-tac fica constantemente buzinando ao fundo. O mesmo tic-tac volta no final do filme, quando o narrador nos conta o que aconteceu com a família Lisbon, com as imagens da casa vazia e azulada. O tom azul está presente em momentos mais idílicos do filme, onde há uma certa ternura envolvida na narrativa. As cores só são mais fortes quando Chase, um dos vizinhos, imagina a viagem que faria de carro com as garotas Lisbon.

E, pra terminar, só quem sabe o que é conviver com pais como os das garotas Lisbon pode ter exata noção do que eu senti vendo o filme. Mas essa é outra história.