segunda-feira, 7 de março de 2011

Analisar a vovó

Desde janeiro há o dilema de espaçar ou não minhas sessões de análise. Diz a analista que eu estou pronta pra caminhar sozinha. A não ser por um detalhe: a vovó.

Minha relação com a vovó é algo que nem sei explicar. Foi construída em cima de respeito, amor e carinho. Houve uma época da minha vida em que ela era mais a esposa do meu avô. Isso porque o vovô dominava as atenções dos netos. Quando ele morreu, eu pude conhecer melhor a minha avó e me apaixonei por ela. Cheia de particularidades, ela vem de uma família perfeita (sim, isso existe! São os Mendes Barros!). É a bondade em pessoa, um coração tão grande que me deixa com medo, já que tem muita gente que se aproveita disso.

E ela tem 92 anos e meio. É inevitável pensar que o tempo de vida que resta a ela é muito pequeno. Mesmo que sejam mais 20 anos, é muito pouco. Mesmo que a gente olhe pra trás e pense que, putz, ela nasceu em 1918!!! É muita vida! Vamos celebrar que ela vive ainda, que está saldável, forte, lúcida. Isso que importa, e não o futuro.

Não, não é bem assim.

Há poucos anos, vovó foi pra BH fazer uma cirurgia. E foi phoda. A cirurgia foi super simples, ela respondeu muito bem, tudo deu certo. Eu é que baguncei o meio de campo. Eu chegava em casa, à noite, e não havia ela. Não tinha conversa, não tinha o slap-slap do sapato dela pelo chão, os remédios tomados na hora. Só tinha a sombra dela em seu lugar no sofá. E a angústia que me acompanhou durante aqueles dias de ausência. Acho nunca fui tão feliz com a volta de alguém pra casa... como quando o Vander Lee diz "o meu coração tá batendo mais forte porque você chegou".

É inevitável pensar nisso. E é inevitável eu não querer pensar nisso...

Ah, deixa pra lá.