domingo, 27 de fevereiro de 2011

Livro: Máquina de Pinball


Escrito em 2001 e publicado no ano seguinte, Máquina de Pinball é o romance e estreia da gaúcha Clara Averbuck.O prefácio foi assinado por Antônio Abujamra e é bastante elogioso ao estilo da autora.

O livro contém a narração de parte da vida de Camila, uma gaúcha que vive em São Paulo, abandonou a faculdade de jornalismo, está desempregada, sem dinheiro, com um namoro recém-acabado e um desejo sexual latente. Entre idas e vindas, ela vai contando suas resoluções para toda vida. A escita é visceral, Camila é intensa, forte, determinada, decidida e indecisa.Um vulcão em erupção, partindo para a vida adulta mas carregando ainda a vivacidade inconsequente da adolescência. Assim, ela consegue sobreviver sem ter um trabalho, sendo sustentada pelos pais, à medida que tenta, desesperadamente, ser independente.

Ácida, Camila também critica quase tudo e quase todos à sua volta. Sua fidelidade é apenas ao gato, Julian, que, segundo ela, salvou sua vida. Entre suas críticas, há uma interessante, apesar de ser um pouco lugar-comum: "Brasileiros também são neuróticos, mas não com incêndios ou bombas ou terroristas ou estrangeiros. A neurose é chegar primeiro, pegar o melhor lugar, ultrapassar a qualquer preço no trânsito, furar a fila, sentar na janela, chegar antes. Neurose de não ser passado pra trás, em todos os sentidos."

A bebida é uma constante e Camila conta que sempre dá tudo errado quando ela bebe. Porque Mariela, a imbecil que mora nela, aflora e coloca muita coisa a perder. Há tantas Marielas por aí, né?

O que me fez sorrir, por causa de um comentário de uma amiga, foi quando Camila diz que sempre levanta a sobrancelha direita quando sente algum tipo de desprezo e sempre levanta a sobrancela esquerda quando está interessada.

O livro é bacaninha, é bem divertido e, por ser visceral, faz a gente grudar. Como ele é pequeno (são cerca de 80 páginas), a leitura é bem rápida. Vale a pena.