sábado, 26 de fevereiro de 2011

Livro: Jardim de Inverno


Este é o terceiro livro da Zélia Gattai que eu leio. É leve, como os outros dois, e traz histórias muito bacanas de sua vida. Ela é uma boa memorialista. O livro se passa após os dois anos de exílio dela de Jorge Amado, com o filho João Jorge, na França. O início é a chegada à então Tchecoslováquia, após serem expulsos da França.

Zélia conta como foram os anos em que ela e Jorge vivem em um castelo, na cidade de Dobris, aprendendo a lidar com os thecos e as tradições locais - por exemplo, o açoite das mulheres na primavera, e também com as questões mais duras dos regimes socialistas - as decisões eram do partido e ela e o marido não concordavam 100% com isso.

O escritor Jorge Amado tinha uma vida social bem movimentada. Zélia mostra como era a vida em meio a tantas pessoas envolvidas com o Movimento Mundial da Paz, tantas personalidades do mundo pós-Segunda Guerra, como o poeta Pablo Neruda. Seu esforço, como ela mesmo afirma, é mostra um pouco dessas personalidades entre amigos.

As partes mais interessantes do livro são quando ela conta dos costumes tanto da Tchecoslováquia quanto dos outros países por onde passou (Rússia, Mongólia e China, principalmente). Porém, este livro não é tão interessante quanto Um chapéu para viagem. No final da narrativa, fiquei um pouco cansada das aventuras do casal em uma viagem pela Ásia, deu vontade de pular páginas. O melhor dela, com certeza, é Anarquistas, graças a Deus. Não sei se tenho mais vontade de ler outros livros dela.