quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Filme: Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro - 2010 (mais informações aqui)
Direção: José Padilha
Roteiro: José Padilha, Bráulio Mantovani e Rodrigo Pimentel
Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro

Tropa de Elite foi um soco no estômago. Pelo tema, pelo argumento, pelo roteiro, pela direção, pelas atuações. O filme ganhou o Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim, em 2008. A continuação da vida do Capitão Nascimento começa com uma homenagem ao primeiro filme. Nos créditos iniciais são mostradas imagens marcantes do filme anterior.

O contraponto do Capitão Nascimento é Fraga, militante dos direitos humanos e atual marido de Rosane, ex-esposa de Nascimento. E é em uma rebelião em Bangu I que o capitão perde o cargo, devido a uma ação violenta de seus comandados. Ele deixa o batalhão e assume um cargo burocrático na Secretaria de Segurança Pública.

A dificuldade do capitão com a nova função é evidente. Desde a dificuldade em dar o nó na gravata até a postura do ator. No primeiro filme, o capitão estava sempre com a postura reta. Agora, de terno e no escritório, está sempre curvado, a cabeça sempre apontada para baixo. Mesmo assim, foi nesse trabalho atrás de uma mesa que o Coronel conseguiu transformar o Bope numa máquina de guerra, com investimentos, pessoal e equipamentos. Paralelamente, o filme mostra como a nova situação do Bope favoreceu o surgimento das milícias policiais, que passaram a assombrar as comunidades do Rio. "Milícia é máfia. Você paga para ela te proteger dela mesma", explica Nascimento.

A obra é crua e direta ao tratar da corrupção e da violência policial e política. A edição de som contribui para criar a tensão proposta: tiros, respiração ofegante, passos, manuseio de armas. A câmera, especialmente nos momentos de operações, não está fixa. Está inquieta, trazendo o espectador para dentro da ação, para o contexto do filme.  E é ali, dentro da ação que o espectador acompanha  a escalada de violência, o sumiço da ética, o desprezo à vida em um grau que, ao mesmo tempo em que é bem comum para quem acompanha o noticiário nacional, é absurdamente cruel e dolorosa. Como no primeiro filme, os métodos de tortura de traficantes e milicianos é grotesco, brutal.

Se o primeiro filme foi um soco no estômago, Tropa de Elite 2 é um soco no rosto, daqueles que arrancam sangue.