quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Filme: O besouro verde

The green hornet - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Michael Gondry
Roteiro: Seth Rogen, Evan Goldberg
Elenco: Seth Rogen, Jay Chou, Christoph Waltz, Cameron Diaz.

Depois de dois filmes que eu gostei muito (Brilho eterno de uma mente sem lembranças e Rebobine, por favor), criei uma boa expectativa para ver O besouro verde. E foi aí que tudo deu errado. Primeiro porque são raras as obras com super-heróis que eu gosto (exceção para o primeiro Batman e para Batman - O cavaleiro das trevas).

O milionário (sempre um milionário, né?) Britt Reid é filho de um magnata da imprensa de Los Angeles que vive na farra e tem um enorme ressentimento do pai, porque este quebrou seu boneco de super-herói quando Britt ainda era uma criança. Quando o pai morre por uma picada de abelha, Britt precisa tocar o império do pai, puxado pelo jornal Sentinela Diário. Numa crise de criança mimadinha, o rapaz acaba conhecendo Kato, empregado do pai, exímio inventor e especialista em artes marciais.

Na série de TV da década de 1960, Kato era interpretado por Bruce Lee. E o filme faz algumas homenagens ao ator, em especial quando vemos o caderno de projetos de Kato, com o desenho de Lee. Há outras referências no filme, como Robocop, quando Kato identifica, assim como o policial robô, as armas e os perigos que pode enfrentar nos adversários de luta; o próprio Batman, com o carro que lembra o antigo Batmóvel, o veículo de Dick Vigarista e até Ben-hur, na corrida de bigas. Matrix, com suas cenas lentas e cheias de detalhes, também é referência aqui, quando Kato luta com os inimigos.

Britt é caracterizado como o bobão maior, com um ego absurdo e mimado como um bebê de três anos de idade. Enquanto Kato fala com ele que nasceu em Xangai, Britt se anima e diz que adora o Japão! Além de não dar uma dentro, o personagem é muito chato. Sua imbecildade é tanta que ele chega a atirar em seu próprio rosto com a arma criada por Kato. E, ao acordar, 11 dias depois, resolve se vingar e atira no próprio companheiro. Além disso, dimimui Kato o tempo todo. Mesmo assim, dá pra dar um sorrisinho amarelo quando ele diz a Kato que é o patrão, que ele é Simon e Kato é Garfunkel, que ele é Scooby e Kato é Doo. A personagem de Cameron Diaz parece perdida no roteiro. Ela estudou jornalismo e criminologia, mas acaba como secretária substituta. Faz sentido? A atriz que tem feito uma série de filmes nada-a-ver. Este é só mais um para seu currículo.

Kato, com suas habilidades, consegue salvar um pouco do roteiro. Mas só um pouco... inexplicavelmente, Lenore, personagem de Cameron Diaz, aparece já brigada com Britt e Kato, dizendo que odeia suas mentiras. O problema é que ela ainda nem sabe que os dois são o Besouro Verde e seu ajudante. Em outra cena surreal, Kato não pode se mexer porque está com a perna presa em uma parede caída e com a arma do vilão, Chudnofsky, apontada para seu rosto. Dois segundos depois, inexplicavelmente ele consegue sair de debaixo da parede e ainda acertar um chute que desarma o vilão. Ok, histórias de super-heróis são fantasiosas. Mas o espectador não é burro e vai construir uma imagem - ou desculpa - para cada falha do roteiro. Também não faz o menor sentido a conversa em que Britt e Kato decidem que o Besouro Verde será um super-herói, mas se apresentará como uma pessoa má.

Na montagem, a parte que ligaria a cena de ação final às anteriores é feita com a tela sendo dividida em várias pequenas ações. Se a intenção era deixar essa parte dinâmica e fazer referência aos HQ's, não adiantou. A cena ficou lenta e incompreensível, já que dela participam mais figurantes que atores.

Entre um pen-drive em forma de sushi (num restaurante chinês), um carro que vai em cima de uma rotativa (e não danifica a máquina gráfica), entra em um elevador, é cortado ao meio e ainda anda... e Britt passando, milagrosamente, a enxergar os inimigos como Kato, identificando armas e perigos, acredito que nem na Sessão da Tarde o filme renderia alguma coisa. Melhor deixar de lado.