terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Desafio Literário - Fevereiro: Um chapéu para viagem


Um chapéu para viagem foi um presente de Zélia Gattai ao marido, Jorge Amado, por ocasião de seus 70 anos. Ela já havia escrito Anarquistas, graças a Deus, em que conta a história de sua família italiana e seus primeiros anos de vida em São Paulo, em meio ao pensamentos anarquistas. Como acontece com Anarquistas, Um chapéu para viagem é um livro de leitura rápida e agradável.

Ele começa em 1945, quando Zélia e Jorge se mudam de São Paulo para o Rio de Janeiro. Jorge vai assumir a cadeira na Câmara dos Deputados na então capital federal, após a queda do regime do Estado Novo. Zélia conta como conheceu Jorge Amado e como começou o romance dos dois, como foi a mudança, a vida agitada pela política e pela cultura, os amigos e as histórias da família. O destaque é D. Eulália, a Lalu, mãe de Jorge, que adorava pegar no pé de Zélia, mas tinha por ela um enorme carinho.

O estilo de Zélia Gattai é bem leve. Ela narra as histórias como se conversasse com o interlocutor, como se fosse um bom papo na sala de casa. Por isso, a leitura flui rapidamente (eu li o livro em dois dias). A autora é considerada uma boa memorialista, pela sua facilidade em resgatar as histórias vividas e colocá-las no papel de forma tão sutil.

A história termina quando ela embarca, em 1948, para a Europa, levando nos braços o pequeno João Jorge. A história de sua vida com Jorge Amado no exílio continua no livro Jardim de inverno.