quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Convergência

A enxaqueca é uma coisa que me acompanha desde criança. Não lembro exatamente da minha primeira dor, mas lembro de como ela era resolvida. Eu ia dormir na cama da minha mãe, no quarto totalmente escuro, usando o travesseiro dela. Quando acordava, a dor tinha passado. Eu associava a "cura" ao travesseiro dela.

Daí que sempre foi uma correria em vários médicos pra descobrir a causa da dor. Nisso, descobri uma leve escoliose e um problema de visão. O oftalmo em questão, que será carinhosamente chamado de Dr. X. Ele disse que eu, então com 8 anos de idade, tinha astigmatismo oblíquo, que este tipo era o mais grave e dava uma dor de cabeça monstra. E lá fui eu usar óculos.

Acabou que o Dr. X. se mudou para outra cidade e eu tive de mudar de oftalmo. A Dra. Y. confirmou o diagnóstico e, ao longo dos oito anos em que fui sua paciente, foi aumentando aos poucos o grau, até chegar ao ponto de eu sentir dor de cabeça ao tirar os óculos. Então ela me recomendou o uso de lentes de contato. Na época, as lentes indicadas pra astigmatismo eram de silicone, duras feito a peste. A adaptação foi difícil, mas depois foi uma maravilha.

Então, na mudança do plano de saúde, troquei a Dra. Y pela Dra. Jaqueline. Foi quando eu descobri que não tinha NADA de errado comigo. Não tinha astigmatismo nenhum, muito menos oblíquo. Não tinha miopia nem hipermetropia, nem presbiopia, nem glaucoma, nem ceratocone. NA-DA. E a dor de cabeça? Era de qualquer coisa, menos da vista (anos depois, descobri que era fibromialgia). Ou seja, durante oito anos eu usei óculos sem precisar.

Mesmo assim, continuo sem enxergar direito. Porque meu músculo ocular é fraco. A Dra. Jaqueline já tinha me dito isso, e agora recebi o mesmo diagnóstico da Dra. Olga. O que fazer para melhorar  de vez ou diminuir o problema? Musculação! Ou exercícios de convergência.

São, basicamente, dois exercícios:

O cartão mais temido
O primeiro é com esse cartão aí de cima. De um lado, as bolinhas são azuis, do outro são vermelhas. Para fazer o exercício, basta colocar o cartão mo meio do nariz, com a bolinha menor mais perto do rosto. E aí, dar uma de zarolha e juntas as bolinhas azuis com as vermelhas, primeiro a grandona, depois a média e por último a pequena. É um saco! Meu cartão fica dentro da agenda e eu quase nunca lembro de usá-lo.

O outro exercício pode ser feito com a ponta de uma caneta ou desenhando com caneta uma bolinha na ponta de um dedo. Posiciona-se o objeto (ou o dedo) um pouco longe do rosto e, ao aproximá-lo, é preciso dar uma de zarolha e enxergar sempre ou uma ponta de caneta ou uma bolinha desenhada no dedo. Também é muito chato.

Dá preguiça fazer os dois exercícios. Dá vergonha não reconhecer os outros. Não sei o que é pior.