terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Livro: Os diários secretos de Agatha Christie


Já falei um milhão de vezes que adoro as histórias da Agatha. Uma coisa que sempre me intrigou foi saber como era seu processo criativo. Com esse livro, pude conhecer um pouco mais de sua forma de trabalho.

De início, o livro traz uma inverdade. Os cadernos onde Agatha anotava ideias de enredo e começava a desenvolver seus textos não eram diários e, muito menos, secretos. Eram apenas cadernos aleatórios, alguns de estudos seus e de sua filha. Neles, ela soltava a imaginação, iniciando as tramas, escolhendo os suspeitos e os culpados, os detalhes que faziam suas histórias ferverem.

O autor, John Curran, é um canadense que, apaixonado pela obra de Agatha Christie, iniciou um contato com a família. Foi assim que, na casa onde a autora passou boa parte de sua vida, ele teve acesso aos cadernos, que foram numerados pela filha de Agatha, de forma aleatória. O livro traz, ainda, dois contos inéditos: A Captura de Cérbero, originalmente escrito para Os Trabalhos de Hércules e depois substituído por outro conto com o mesmo título; e O Incidente da Bola do Cachorro, embrião do livro Poirot Perde uma Cliente, o segundo livro dela que eu li.

O mais bacana do livro é poder observar que a autora realmente tinha uma mente criativa. Os vários temas de história listados por ela e que não foram utilizados mostram que, mesmo com a intensa produção que tinha, Agatha tinha poder para muito mais. Outra coisa legal era a forma como ela testava as tramas. Em listas "numeradas" alfabeticamente, ela desenvolvia subtemas, situações e personagens e depois, ao fazer seu texto, descartava o que julgava estar inapropriado e reorganizava as ideias.

Pra quem gosta de Agatha Christie, é ótimo.

Editora Leya
478 páginas