segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Livro: A arte de ser leve

Sou da turma que torce o nariz pra livros de auto-ajuda. Há muita coisa bacana no mundo pra se ler, e eu evito perder meu tempo com esse tipo de livro. Abri uma exceção para "A arte de ser leve", da jornalista Leila Ferreira, por insistência da minha sogra. E acabei me surpreendendo.

Leila faz uma espécie de reportagem, em que investiga o que é ser leve e como a leveza pode ser conseguida no cotidiano. Ela já abre o livro citando uma cabeleireira que diz que há pessoas que vieram ao mundo de caminhão; outras, como ela, vieram de bicicleta. Ela percorre temas como leveza, felicidade, gentileza e outros que parecem ficar esquecidos nos dias de hoje.  No quesito felicidade, levanta uma questão importante: ser feliz está na moda. Tanto que se criou algo como a ditadura da felicidade. E o melhor jeito de se comprovar isso é vendo fotografias: o sorriso para as câmeras é obrigatório, distoa quem não posa falando X.

Seleciono, abaixo, dois trechos que foram bastante significativos para mim:

"Outra atitude que atrapalha os relacionamento é a necessidade de impressionar ou de 'fazer bonito'. Queremos que os outros nos amem, nos desejem, nos admirem e, para isso, achamos que devemos ser melhores do que somos. Num esforço gigantesco para dar um upgrade na própria identidade, fazemos de tudo para parecermos mais inteligentes, mais jovens, mais magros, mais bem casados, mais seguros, mais bem sucedidos, menos deprimidos do que somos. Em resumo, caprichamos para que os outros nos aprovem e vamos dormir exaustos de tanto tentar ser o que achamos que os outros esperam de nós."

"... mas o professor (Dr. Ruut Veenhoven) parece se lembrar de algo e faz dois comentários essenciais: o primeiro é que a saúde mental é muito mais importante do que a saúde física e, mesmo assim, investimos muito mais na saúde física; o segundo é que nada garante a felicidade, nem amor, nem dinheiro, nem mesmo a família. Mas algumas coisas podem ajudar muito, principalmente a qualidade das relações que temos com as pessoas mais próximas. A competência para conviver pode ser um grande aliado da felicidade."