terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Guirlanda

Quando criança, eu adorava o Natal. Acho que era mais pela transformação da casa da vovó e da Tia Ylza e pelos presentes, claro.

Tia Ylza e Tia Leda faziam um monte de coisas pro Natal. Pra começar, uma das salas da casa delas era transformada num presépio imenso. Tia Leda criou uma cidade, com várias casinhas feitas por ela, cada uma mais linda que a outra, todas em miniatura. A cidade tinha lago, ponte, cisnes, pássaros e todas as outras coisas de Natal. Eu escolhi a minha casa, ela era cor de rosa, tinha várias janelas abertas e uma escadinha linda na entrada. Ficava estrategicamente posicionada ao lado da gruta onde o Menino Jesus nasceria na noite de 24 de dezembro. Lá longe, no começo do presépio, estavam posicionados os Reis Magos. Todo dia, Tia Leda fazia eles andarem um pouquinho para que, no dia 6 de janeiro, estivessem já na gruta.

Na casa delas tinha também umas cinco árvores de Natal, de todos os tamanhos. A maior ficava na sala de visitas, a segunda maior na sala do presépio. As outras ficavam cada qual em um canto da casa. Velas, guirlandas, papais noéis, mais presépios (pequenos) e tudo o mais que pudesse criar o clima natalino.

Na casa da vovó era tudo em menor escala. Tinha um presépio também, que até hoje ocupa seu lugar em cima do piano (mas lá não tem um copo de veneno que quem bebeu morreu). Tinha uma árvore de Natal prateada e um monte de bolinhas. Em uma foto, minha mãe monta a árvore e eu estou sentada na almofada ao lado, chorando, porque quebrei uma bolinha. Naquela época elas eram muito frágeis.

E tinha, sempre, um montão de presentes. Da vovó e do vovô, do Paulo, do Padrinho, da Tia Ylza e da Tia Leda, do Tia Yvan, dos avós de São Paulo... era uma festa. O vovô Ney era a estrela da festa. Ele fazia as coisas ficarem mais divertidas. Quando nos mudamos para BH, era uma festa só imaginar o dia em que chegaríamos na casa dele. Ele sempre nos levava no escritório para nos mostrar os presentes que comprava para nós. Ele ficava tão ansioso pra nos dar os presentes... mas como não podia, ficava nos mostrando os embrulhos, as caixas. A ansiedade era tanta que, na manhã do dia 24 de dezembro ele já deixava os presentes debaixo das nossas camas. Éramos as únicas crianças que ganhavam presente um dia antes.

Isso tudo pra dizer que, com a morte do vovô, em 1993, o Natal morreu um tantão assim pra mim. Não tinha mais graça. A casa continuava recebendo enfeites, a casa da Tia Ylza e da Tia Leda também, mas a alegria toda que tinha o Natal foi embora com o vovô. E o que restou dela deu tchauzinho quando a Tia Leda ficou doente. Aquele presépio gigantesco foi reduzido. Pena...

Daí, em 1996 eu resolvi tentar fazer alguma coisa pra melhorar o meu Natal. Ia ser o nosso primeiro Natal em BH. Pra isso, foi comprada a árvore (não tinha em casa porque a gente sempre estava em Ouro Preto nessa época), presépio e enfeites gerais. E eu decidi fazer uma guirlanda de balas Toffe Bombom. Peguei um bastidor de bordado, forrei com tecido vermelho, comprei um quilo de balas e fui amarrando numa linha, com aquele primeiro ponto de crochê. Fui colocando em volta da guirlanda e terminei tudo com um laço de fita vermelha. Fez sucesso lá em casa e me fez ficar menos triste. Fiz em outros anos e também pra dar de presente pra algumas pessoas, depois parei, desanimei, esqueci.

Esse ano, lembrei de fazer. Mas não para o Natal. Para o reveillon, que vou passar com a família do Leo. Esqueci de fotografar o passo a passo, então só tem duas fotos, uma do final do processo e e outra da guirlanda finalizada. Não achei mais o pacote com um quilo da bala, só com 700g, então comprei dois pacotes. As fitas foram patrocinadas pela vovó e o bastidor pela Tia Ylza.

Quase no final

Como tinha muito tempo que eu não fazia, esqueci que o forro e o laço deveriam ser colocados antes de se começar a enrolar as balas. Daí, forrei o que sobrou de bastidor e apliquei o laço.


Ficou assim