quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Filme: A Ressaca

Hot Tub Time Machine - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Steve Pink
Roteiro: Josh Heald, Sean Anders, John Morris
Elenco: John Cusack, Clark Duke, Craig Robinson, Rob Corddry

O início do filme, mostrando fotos aparentemente comuns de pessoas bebendo em volta de vários tipos de piscina, aproxima o espectador da história: quem nunca passou por isso e tem saudades da juventude, quando havia menos responsabilidades a serem cumpridas e a vida não parecia ser tão amarga, tão dura? Uma vez ou outra, todos nós já nos pegamos pensando naquele tempo, imaginando como seria se as escolhas tivessem sido outras.

E é isso que fazem dois amigos para ajudar um terceiro que, aparentemente, tentou suicídio mais uma vez. Junta-se ao grupo o sobrinho de um dos amigos e vão os quatro para uma cidade onde havia um famoso festival de inverno, muita bebedeira, pegação e loucuras. O amigo suicida é saudoso daquele tempo e a tentativa é animá-lo. Mas ao chegarem lá, são surpreendidos pelas mudanças no local, que agora é decadente e os planos de dias felizes podem ir por água abaixo.

Jaboc, o sobrinho de Adam (John Cusack, desperdiçado), certa hora pergunta: "Se ele se matar a gente pode ir embora?". O filme é tão bobo e previsível que é isso que se pensa em uma série de momentos, por exemplo, quando os quatro têm uma queda de sky. Eles podiam simplesmente morrer e pronto.

As "homenagens" à trilogia De Volta Para o Futuro são enormes e permeiam todo o filme. Desde o mostrador de temperatura da banheira, bem semelhando ao do DeLorean. Há também o maluco que conserta a banheira, o ingrediente indispensável para seu bom funcionamento (como era a energia durante a série de Marty McFly), o valentão que mete medo nos demais, as apostas em esportes, como na segunda parte da trilogia, Jacob se desintegrando, como o Marty na cena da festa em que seus pais se beijam e, finalmente, a pessoa que fica no passado para mudar o futuro. Ou seja: wannabe total.

A grande diferença é que o filme apela o tempo todo para a escatologia, para o machismo e para as piadas fáceis, como se fosse roteirizado pelo decadente Casseta e Planeta. A delicadeza, a leveza das tiradas de De Volta Para o Futuro ficaram escondidas na gaveta do roteisita. Em termos de direção, nenhuma novidade, somente as escolhas óbvias de um filme para (e talvez de) adultecentes. Steve Pink, o diretor, foi um dos roteiristas de Alta Fidelidade, também com o John Cusack, um filme muito mais interessante.

A Ressaca jamais faria parte das minhas escolhas. Só aconteceu porque tentamos um equilíbrio: Leo escolhe seus filmes, eu escolho os meus e vemos juntos. Em geral eu não gosto das escolhas dele e ele não gosta das minhas, mas respeitamos as diferenças. Porém, reconheço que meu preconceito com comédias não me leva a lugar nenhum e deve ser quebrado. E que, apesar da escatologia e do machismo exacerbado desse filme, ele tem umas sacadas interessantes. Ou seja, vale como Sessão da Tarde.