quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Filme: Maria Antonieta

Marie Antoinette - 2006 (mais informações aqui)
Direção e Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Rip Torn

Acho que é um pouco do senso comum odiar Maria Antonieta por sua postura com o povo francês: "se não têm pão, que comam brioches". E Sofia Coppola nos dá a oportunidade de, talvez, amar a rainha da França, mesmo com seus luxos, seus excessos, sua loucura, transformada em doce pela diretora.

Para começar, chama a atenção a direção de arte, a maquiagem e o figurino. Os vestidos são deslumbrantes, cheios de detalhes. Parecem, junto aos cenários, as pinturas do período rococó francês, com tantos debruados e muito volume, junto aos sapatos, leques, os adereços de cabelo e as comidas. A paleta de cores é bem clara, seguindo a linha da pintura do período.

Como em Encontros e Desencontros, mais uma vez Sofia Coppola fala de solidão. Maria Antonieta é apresentada como uma pessoa extremamente solitária. São comuns seus planos em que ela aparece só, mesmo em meio à multidão da corte. Nessas horas, o que conta é mais a experiência sensorial da rainha, ouvindo as fofocas da corte - quase não há diálogos, só os sussuros que ela capta ao passar. No início de sua vida na corte francesa, Maria Antonieta chega a debochar do excesso de cerimônias (- "Isso é ridículo!" - "Isso é Versailles") e transgride alguns códigos. É vista como a excêntrica, chamada de a austríaca. E, para fugir da solidão, Maria Antonieta se entrega ao luxo excessivo da realeza francesa. Assim, vemos criada a figura dos livros de história, a perdulária e irresponsável rainha.

A trilha sonora é um show à parte. Enquanto a rainha segue à risca os protocolos da corte, é embalada pelas clássicas músicas do período. Quando ela quebra as regras, o rock toma conta e parecemos transportados para um clip da Madonna - a lourice de Kirsten Dunst contribui para isso.

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