segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sotaques e inferno astral

Dia desses, estava com o Leo na fila do Seu Chico, o quitandeiro mais famoso de Ouro Preto. Um casal de cariocas estava conversando com um dos atendentes, intrigados com a verdura que comeram no almoço, junto com o frango. Era o famoso Ora-pro-nobis, chamado por aqui de "lobrobrô". A moça ficou repetindo o nome mineiro da planta, querendo de toda forma comprar a verdura. Não tinha lá no Seu Chico, mas ela prometeu que compraria no seu caminho de volta até o Rio.

Também outro dia apareceu um amigo de um amigo que tinha ido passar um tempo no Amazonas. Ele estava contando uma raiva que passou lá ao pedir uma lapiseira para alguém.

Isso me lembrou das palavras diferentes que usamos no país. Lá no Maranhão, onde morei, o que aqui em Minas chamamos de "caneta" é conhecido como "lapiseira"; a nossa lapiseira é chamada de "grafite". "Esquina" lá é "canto", "cabide" é "cruzeta". A nossa "mixirica" é "tangerina" no Rio de Janeiro, "bergamota" no Rio Grande do Sul.

Essa diversidade é tão bacana...

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Mudando de assunto, dizem que um mês antes do seu aniversário começa o inferno astral. Eu não me ligo nisso, mas estou começando a acreditar. É que hoje, em especial, fui visitar um cliente. No caminho da ida, topei com uma criança vomitando. Mais na frente, outra criança vomitando. Reunião ok, tudo certo, vamos voltar. No caminho de volta, mais uma criança vomitando.

Cheguei em casa intrigada com aquilo e fui contar pro Leo e pra vovó. Na hora, a Cuca, minha bolinha branca, também vomitou. Será que eu tô atraindo? Será que é o inferno astral?

Sem contar a cegueira crônica. Já não enxergo mais as pessoas a uma certa distância, isso é fato conhecido. Mas voltando do cliente, depois das crianças e antes da Cuca, fui comprar ameixas. Escolhi bem duas caixinhas, escritas "s/ caroço". E ao chegar em casa é que vi que as duas caixas estavam, com letras garrafais: "c/ caroço". Eu juro que li "sem", juro! Será que é o inferno astral?