sábado, 11 de setembro de 2010

Da imprensa

Morte é um tema bastante complexo. Tem gente que vê com naturalidade, tem gente que se apavora. Como grande parte da minha família é composta de idosos, a morte, sua proximidade, suas consequências são temas frequentes. Dentre as coisas que algumas pessoas da família já deixaram prontas está a Disposição de Última Vontade. Não é um testamento, mas um documento onde se explicita o que quer que seja feito após a morte. Por exemplo, uma tia deixou escrito o que fazer com as roupas dela, as louças, os móveis após o falecimento. Algo como fez a Bel no Meme 30 dias.

Isso tudo pra dizer que é bacana demais ver que lidar com a morte pode ser algo natural, mesmo que ainda fique um medo sobre a forma como se vai morrer e o que virá depois.

Assim, foi inevitável sorrir quando vi a notícia da morte de Antônio Inácio da Silva, conhecido como Moreno, no Estado de Minas de 7 de setembro. Ele morava em Belo Horizonte e foi cangaceiro de Lampião. Fugiu com a mulher após a morte do chefe do bando e, com o objetivo de chegar a São Paulo, acabou parando em Minas, na cidade de Augusto de Lima. Durante muitos anos ele e a mulher mantiveram segredo sobre a vida de cangaceiros. Acho que foi em 2005 que a história veio à tona, com os dois bem velhinhos. A esposa morreu antes. E, na morte de Moreno, os filhos cumpriram o último desejo do pai:

"(...) soltar foguetes para comemorar o fato de Moreno ter sobrevivido a todos os inimigos no sertão e ter conseguido escapar das volantes, que cortavam as cabeças dos cangaceiros que matavam."

De certa maneira, a morte também pode ser uma celebração, uma conquista.