quinta-feira, 3 de junho de 2010

Respeito é bom

Há alguns dias tenho me envolvido com projeto de desenvolvimento de cidadania muito bacana. É o projeto Imagine, que nasceu em Conselheiro Lafaiete pelas mãos da Eloah, que eu não conheço ainda, e tem o apoio da minha amiga Daniella Inácio. A Eloah está em campanha para que os moradores de Lafaiete levem a fundo a palavra cidadania e cuidem bem da cidade.

Pra mim, o projeto Imagine tem muito a ver com respeito. Quando se respeita a si mesmo e ao lugar onde se vive é possível exercer a cidadania. Estou com isso na cabeça nesse momento devido à situação atual da minha vizinhança.

Moro em uma casa que tem como vizinhas de frente cinco repúblicas de estudantes, sendo quatro federais e uma particular. A convivência com elas já foi melhor, numa época em que os estudantes tinham mais respeito pelas famílias da cidade. Meu pai morou em uma dessas repúblicas antes de se casar com a minha mãe. Os tempos foram mudando e a convivência também. A gente se acostuma com o barulho nos dias de festa, especialmente nas noites de quinta-feira e nos fins de semana. Também com a batucada com instrumentos de percussão que acontecem vez ou outra. É saudável pra eles, mesmo que incomode um pouquinho. No carnaval e no 12 de outubro (aniversário da Escola de Minas) é melhor para nós sair da cidade, para não ficarmos no barulho extremo.

Vez por outra as repúblicas hospedam pessoas. Neste feriado está acontecendo um encontro de estudantes de Direito e muitos estão hospedados aqui nas repúblicas da rua. Fomos acordamos com um grupo que chegou por volta da 1h da manhã. Chegaram eufóricos e ficaram na rua até depois das 8h da manhã conversando, rindo, gritando. Nós estamos acostumados com isso. Não estamos acostumados com o interfone sendo tocado às 7h da manhã, só de farra, por universitários. Tocaram e saíram correndo. Começou aí a questão no interfone.

Agora, no meio da tarde, os estudantes "visitantes" quebraram o interfone. Precisamos sair e conversar com os moradores da república para pedir um pouco de respeito. Só um pouquinho. Não nos importamos que a caixa de som deles está na janela, virada para a nossa casa, tocando aquelas músicas chatas. Não nos importamos com a quantidade de gente que está na rua, na nossa porta, tomando cerveja, fazendo xixi e vomitando. Só queremos um pouco de respeito. Porque aqui, na nossa casa, mora uma senhora de 92 anos, que já anda cansada da vida e não merece ficar escutando o interfone tocar o tempo todo. Também não merece o som nem a cerveja, nem o xixi, mas isso a gente ainda consegue relevar.