quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ausência


Um dia a gente acorda e percebe que, putz, já se passaram 17 anos. Nossa, mas parece que foi ontem...

Ainda lembro do dia em que eu estava tranquila na escola e fui chamada pelo coordenador. Alguma coisa já me dizia o que viria em seguida. Perguntei: "Aconteceu alguma coisa com o meu avô?". E ele respondeu que minha mãe me falaria tudo. Quando eu encontrei com ela, no corredor da escola, ela já estava em prantos. Me abraçou e disse, quase sussurrando: "Vovô morreu".

Depois disso veio o Nada, igualzinho na História sem Fim.

Às vezes eu fecho os olhos e ainda o vejo lá em casa, no quarto, na sala de jantar. Ainda sinto o seu cheiro no ar. Ainda dói passar de manhã pela porta do Cine Vila Rica e não vê-lo lá, batendo papo com os taxistas.

A saudade ainda é absurda, sem tamanho. Só não é maior que a certeza do privilégio que foi conviver com ele, mesmo que por pouco tempo.
Update: apesar da cara brava, ele era hilário. E chamava qualquer comida ruim de engasga-gato.