sexta-feira, 23 de abril de 2010

Direto do túnel do tempo

Enquanto estou aqui, presa no aeroporto de Congonhas, esperando a hora de voltar pra BH, tive tempo de sobra pra lembrar de São Paulo.

Minha família vinha a São Paulo pelo menos uma vez por ano. Pra ver os avós paulistanos, a tia e o primo. Era quase um período de engorda. Vovó fazia mil pães e massas diferentes, como boa descendente de italianos. Era comida que não acabava mais. Ainda lembro do cheiro do bolinho frito que ela fazia de tarde, salpicado com canela e açúcar. Uma delícia sem par.

Hoje passei de táxi perto do supermercado Pastorinho. Deu saudade da vovó, aquela figurinha, baixinha, gordinha, com a pele bem clara e o cabelo bem escuro, carregando as sacolas das compras que fazia lá. Me lembro dela caminhando na rua, indo para o Pastorinho. E dentro de casa, atarefada, falando que precisava ir lá comprar alguma coisa. Inevitável ver o mercado e não lembrar dela.

Vi de novo a rua onde a minha família paulistana mora. Fui ao prédio e vi a fachada, o sinal de trânsito que atravessávamos correndo, a entrada do metrô. Deu saudade daquele tempo.

O engraçado é que eu lembrava de um prédio bem maior. De uma rua bem mais larga. De uma amplidão que não existe mais. Ou só existe na minha memória.

Os avós já não estão lá faz muito tempo. Hoje, só a tia e o primo. Mas não os vi. Passei correndo, deixei um bilhete manuscrito com o porteiro. E levei lembranças que achei que não tinha mais. Ficou a vontade de voltar com calma, parar de novo naquela rua, chamar o interfone do apartamento e subir. Mesmo que não tenha mais bolinhos fritos durante a tarde.