quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Véspera de Natal

Não gosto de nada de véspera. A minha ansiedade não permite conviver bem com coisas de véspera. Assim, foi uma sorte não ter que acreditar em Papai Noel.

Quanto eu era pequena, meus pais não insistiram em falar de Papai Noel. Nem precisava. A gente tinha o vovô. Ele era mais ansioso que todos os netos juntos. Saía conosco para comprar os presentes em novembro. Guardava tudo no escritório e todo dia levava a gente lá: "Vem ver o que o vovô comprou pra você de Natal", dizia. E lá íamos nós, brincar com as caixas dos presentes.

A ansiedade dele era tão grande que, na madrugada de 23 para 24 de dezembro ele levava os presentes pro nosso quarto, colocava todos debaixo de cada cama. A gente acordava no dia 24 já desembrulhando pacotes.

Ele também quebrava nozes, castanhas, amêndoas... e fazia questão da casa cheia e de todas aquelas comidinhas de Natal.

Não gosto de vésperas em geral. A do Natal, então, traz o cheiro, o jeito, a cor do vovô. E ele não está mais aqui há 17 anos. Quando o Natal vem, vem também a ausência dele. A casa, que antes ficava movimentada, hoje é silêncio. E pura saudade.