sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um princípio

Escrevo por necessidade. Comecei a ler quase sozinha, juntando letras e descobrindo sons. Escrever foi um caminho natural para inventar estórias, registrar momentos.

Nasci numa cidade maravilhosa, a mais linda de todas. E morei nela até os seis anos de idade. Naquela época, meus pais decidiram que eram melhor nos mudarmos para Belo Horizonte, para ficarmos mais perto do mundo. Uma garotinha de seis anos não tinha opinião naquela época. Não adiantava chorar nem bater o pé. Então, fui embora de Ouro Preto. Voltava só nas férias e feriados pra visitar o resto da família, que era feliz por ainda morar lá.

BH tem muitas coisas que OP não tinha naquela época. Foi bom morar em BH desde cedo. Mas OP nunca saiu de mim. Então, há alguns anos, juntei malas, livros, lembranças e voltei. Não sinto falta de BH. Sinto saudade de pessoas, de lugares, de situações. Gosto do cheiro da entrada de BH, bem diferente do cheiro de OP. Do céu, do clima (não meteorológico).

Mas OP tem muito mais. Da minha janela colonial, vejo um mundo bem colorido. Não tem preço poder andar calmamente, sem ter de correr para atravessar a rua porque os carros vêm naquela velocidade. Tudo é pertinho, logo ali. E, a cada esquina, tem alguma coisa que surpreende: a vista, o verde, um detalhe de arquitetura, uma janela. Tem aquele friozinho gostoso, os raios numa tempestade, o folclore, o cipó de São João, os quintais, as ladeiras, a lua cheia atrás da Igreja do Carmo...

Minha proposta é registrar aqui as impressões que antes ficavam na memória, em e-mails, em papéis espalhados, em cadernos guardados. Sem mais pretensões.