domingo, 5 de julho de 2009

Quase de camarote

Por esses dias, Ouro Preto esteve em polvorosa com o julgamento dos acusados no Caso Aline. A imprensa veio em peso. Curiosos e estudantes de direito fizeram fila para entrar no Fórum e acompanhar o julgamento.

O crime foi bárbaro, disso não há dúvida. Mas não é disso que quero falar aqui.

Não conheci os acusados. Ainda não tinha voltado para Ouro Preto nessa época, mas estava aqui por causa do feriado. No dia em que noticiaram a morte, um colega de trabalho estava com o radinho ligado ouvindo Itatiaia. Portador de deficiência visual, ele ia com dificuldade até o prédio. Eu encontrava com ele na rua e íamos caminhando juntos, ele com a mão no meu braço. Foi só chegar perto dele e dizer "bom dia" que ele foi logo dizendo: "Aline, acabei de escutar que uma moça com seu nome morreu em Ouro Preto. Tive certeza que era você!" Ele passou a me chamar de "A Aline que não morreu". Um ano e pouco depois eu vim pra OP e perdi contato com esse colega.

Agora, a história voltou. Moro perto do Fórum e acompanhei toda a movimentação. Não tive interesse em assistir o julgamento e mas não tive como fugir dele. Estava na rua quando os réus chegaram no primeiro dia. Vi toda a aglomeração da imprensa. Vi os operários da obra em frente ao Fórum pararem para olhar pelas janelas do segundo andar. Da janela do Cartório Eleitoral outras pessoas ficaram a observar. Pessoas encostadas na parede dos Correios, só olhando. Eu mesma, volta e meia, abria a minha janela pra olhar as luzes acesas do Tribunal do Júri.

Não sei se com a absolvição a história vai ter um fim. Não me importo. Pra mim, o melhor disso tudo foi ver os textos da Laura Godoy. Não há melhor.