domingo, 12 de julho de 2009

Do lado de lá, do lado de cá

A esquizofrenia está na moda. Por causa da novela das nove. Aliás, o ator está dando um show. Mas não é sobre esquizofrenia que eu quero falar.

Em 2005, fui formalmente apresentada ao transtorno bipolar. Eu já sabia o que era, aquela psicose que antes era conhecida com maníaco-depressiva. Digo que fui apresentada formalmente porque foi a primeira vez em que vi uma pessoa em surto. E desse surto veio o diagnóstico: transtorno bipolar.

Não é dupla personalidade. É uma personalidade que convive com dois estados de espírito: mania e depressão. Na mania, o bipolar acha que pode tudo, que está acima do bem e do mal. Na depressão, não tem forças nem pra sair da cama. Eu tenho mais medo da mania. A maior parte das pessoas que eu conheço têm mais medo da depressão. É difícil conviver com quem é bipolar. Ainda mais no grau em que tem a pessoa que eu conheço: quando o transtorno mostra a sua cara, pode vir até com alucinações visuais e auditivas.

Depois de ler, pesquisar, conversar com psicólogos, descobri que é possível conviver com o transtorno. Ele não tem cura, mas pode ser controlado com remédios e terapia. Um dos maiores exemplos pra mim é da Marina W, uma jornalista que convive com a doença de uma forma muito bacana. Ela lançou o livro Diário de uma bipolar, que foi esclarecedor pra mim. Dos livros que eu vi, foi o mais tocante, o que mais me deu esperanças de que a vida com o transtorno pode ser "normal". O blog da Marina W é muito bacana. Melhor ainda é o blog de cinema que ela mantém. O Caderno de Cinema de Marina W também é um achado.

Ah, normal está entre aspas aí em cima porque minha analista insiste em dizer que não existe normal, mas o que as pessoas acham que é normal. O que é normal pra mim poder não ser pra você, sacou?